Nova classe média gera desafios para o desenvolvimento do Brasil
SÃO PAULO – A expansão da nova classe média vem criando uma série de desafios, quando o assunto é o desenvolvimento do País, segundo análise de especialistas que participaram na segunda-feira (8) do seminário Políticas Públicas para a Nova Classe Média.
O principal impacto vem dos novos padrões de consumo da nova classe média, que estão cada vez mais provocando pressões econômicas de diversas naturezas. Essa foi, de acordo com a Agência Brasil, a avaliação do diretor de Assuntos Internacionais e Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, Luiz Awazu Pereira.
Crescimento sustentável e educação financeira
Pereira entende que o Brasil terá de administrar o desenvolvimento dessa classe focando, sobretudo, na questão da sustentabilidade. Nesse contexto, ele lembra que, atualmente, o modelo de desenvolvimento do País é relativamente equilibrado e não existe uma excessiva dependência da conjuntura internacional.
A respeito do padrão de consumo da classe média, a oferta de crédito se mostra como uma das principais preocupações do governo, pois sua facilidade pode levar a um aumento do endividamento das famílias. Pereira ressalta a necessidade do aumento da educação financeira, com o objetivo de ajudar as pessoas a entenderem a importância de poupar, terem moderação em lidar com os gastos e serem prudentes.
Foco em infraestrutura
Na avaliação do vice-presidente do banco Itaú-Unibanco, Marcos Lisboa, é preciso que o País invista em infraestrutura para continuar a se desenvolver. Lisboa entende que, com as reduções de custos advindos de uma boa infraestrutura, como melhores estradas e portos, além da ampliação do acesso à energia, todo o setor produtivo será beneficiado, melhorando ainda as perspectivas quanto à capacidade de crescimento futuro.
Foi abordada também no decorrer do seminário a criação de políticas públicas para a nova classe média. O subsecretário da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), Ricardo Paes de Barros, avaliou que, durante os últimos dez anos, muitas mudanças ocorreram, sobretudo na área social. Com o aumento no número de trabalhadores formais no País, o que contribui para a expansão da nova classe média, ressalta ele, é preciso aperfeiçoar o seguro-desemprego e reduzir a rotatividade da força de trabalho.
Fonte: http://economia.uol.com.br/